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Provocações filosóficas: olhares diversos

Por: Claudinei Pereira
Mestre em Filosofia Ética e Política pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).


2022: Uma nova era brasileira ou um regresso político-sócio-cultural?


Data: 09/01/2022 12:43

ENTRE O “AUXÍLIO EMERGENCIAL” E OS RISCOS EMINENTES. 

Quais foram os maiores desafios que tivemos no ano de 2021? E quais serão os desafios que nos esperam em 2022? O que vemos no horizonte de 2022 perpassa mais o campo da especulação do que o campo das certezas. Aliás, mais do que nunca, parece que ingressamos de fato na “era das incertezas” em todos os campos: político, religioso, moral, cultural e científico. 

A pandemia nos escancarou uma divisão grotesca no que se refere a divisão social do trabalho. Observamos ao longo de 2021 (desde o início da pandemia) que existe uma lacuna grande e crescente na distribuição de renda no Brasil. A perda de empregos na classe trabalhadora em geral nos colocou ainda mais em alerta. Segundo dados do site Isto é (2021), coletados através da pesquisa dos economistas Marcel Balassiano e Samuel Pessôa, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), a economia brasileira deve completar 16 anos de crescimento econômico abaixo da média mundial. O levantamento foi publicado pela Folha de São Paulo e leva em consideração dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e pesquisa Focus do Banco Central. 

Como se não bastasse, ao longo do período pandêmico notou-se um agravante nas condições básicas de alimentação da população em geral. Talvez o exemplo mais emblemático da crise econômica ilustrada no ano de 2021 foi o do “caminhão de ossos” disputado pela população mais fragilizada do Rio de Janeiro. A matéria foi divulgada no dia 29 de setembro de 2021 pelo Jornal Folha de São Paulo e ilustra os impactos gerados pela pandemia, trazendo de volta uma ameaça para parte dos brasileiros: a fome. 

Com inflação e desemprego elevados, o país passa a registrar mais cenas de pessoas em busca de doações de alimentos e até de itens rejeitados por supermercados. Não precisamos ser muito técnicos ou buscar jornais especializados para “sentir na pele” a agressividade da inflação no Brasil, basta irmos ao supermercado mais próximo para comprovarmos que os preços de utensílios básicos subiram absurdamente. 

Além disso, percentuais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura – FAO revelam ainda mais esse agravante. Segundo Francisco Menezes e Sílvio Porto, em entrevista concedida ao site IHU (2021) no dia 03 de dezembro, o problema que envolve a questão da fome tem haver, antes de tudo, com o imperativo ético de responsabilidade governamental. Mas os dados mais recentes são verdadeiramente “apocalípticos”: sobre o aumento da fome na América Latina, indicam que mais de 59,7 milhões de pessoas passaram fome no ano passado, o que corresponde a 9,1% da população da região, 30% a mais do que em 2019. No Brasil, 55% dos habitantes se encontram nessa condição, totalizando aproximadamente 19 milhões de pessoas. De acordo com os entrevistados, ao serem questionados pela MP 1601 (Programa Auxílio Brasil) que substituiu o Programa Bolsa Família, nada é mais justificável do que uma medida política, ou seja, consiste numa medida eleitoreira.  

O grande desafio das autoridades consiste em restabelecer a economia e amenizar os danos causados pela pandemia. Mas como fazer e pode onde começar? A pandemia ainda está em curso e variantes já foram diagnosticadas no Brasil e em outros países. Na Rússia, por exemplo, no final de 2021, segundo o site italiano Internazionale nos mostrara, a quarta onda de Covid-19 é muito mais agressiva. Com apenas um terço dos adultos vacinados, o aumento das infecções pelo vírus colocou o sistema de saúde em crise e as mortes atingiram o nível mais alto desde o início da pandemia. Ademais, de acordo com a enfermeira Sabina Galiaskarova, a quarta onda de covid-19 na Rússia é pior que todas as anteriores. “Uma catástrofe está acontecendo. Nós vemos com nossos próprios olhos. Mais e mais pessoas estão ficando doentes e suas condições estão piorando muito mais rápido. Alguns pacientes sofrem danos pulmonares de 50% a 60% poucos dias depois de apresentarem os primeiros sintomas”, disse Galiaskarova, que mora no Tartaristão, 700 quilômetros a leste de Moscou. 

Esses são apenas alguns exemplos do agravante derivado da pandemia. Fica, portanto, o alerta: a pandemia ainda não terminou! A ideia anti-vacina não ajuda em nada no combate ao vírus e todos os especialistas mais sérios corroboram dessa afirmativa. Ao que parece, o nosso desafio está para além das nossas querelas subjetivas ou individualistas. O projeto do Brasil não pode ser um individual, pautado em um neo-liberalismo extremamente agressivo, mas, sim, pela busca da equalização entre o econômico e social, o político e cultural. Teremos este ano o grande desafio de escolher novas autoridades que venham representar o país, desde os governantes de Estados como o Federal (Presidente). Qual seria ou será a melhor escolha? Em quem candidato voltar para equalizar de maneira séria um projeto que, de fato, torne o Brasil mais justo e correto? Ao certo, caberá a cada um o aprofundamento da consciência movida pelos fatos aos quais estávamos vivenciando. Para todos, eis o grande desafio. Que assim seja! 

FONTES PESQUISADAS: 

ISTO É DINHEIRO. Economia brasileira cresce menos que a média global há 15 anos, diz estudo. Disponível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/economia-brasileira-cresce-menos-que-a-media-global-ha-15-anos-diz-estudo>. Acesso em: 07 jan. 2022.  

FACHIN, Patrícia. Emergência da fome no Brasil: 2022 será um ano de riscos e exigirá efetiva transferência de renda. Entrevista especial com Francisco Menezes e Sílvio Porto. Disponível em: < https://www.ihu.unisinos.br/159-noticias/entrevistas/614991-emergencia-da-fome-no-brasil-2022-sera-um-ano-de-riscos-e-exigira-efetiva-transferencia-de-renda-entrevista-especial-com-francisco-menezes-e-silvio-porto>. Acesso em: 07 jan. 2022. 

PAVLOVA, Uliana. La quarta ondata travolge la Rússia. Disponível em: < https://www.internazionale.it/magazine/uliana-pavlova/2021/11/11/la-quarta-ondata-travolge-la-russia>. Acesso em: 07 jan. 2022. 

VIECELI, Leonardo; REZENDE, Constança; MACHADO, Renata. ‘Caminhão de osso’ no Rio disputado por população com fome. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/09/caminhao-de-ossos-no-rio-e-disputado-por-populacao-com-fome.shtml?origin=folha>. Acesso em: 07 jan. 2022.   

 


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