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Provocações filosóficas: olhares diversos

Por: Claudinei Pereira
Mestre em Filosofia Ética e Política pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).


A vida é breve não a desperdice!


Data: 06/06/2021 09:26

Para escrever na minha coluna dominical, convidei o amigo Valter do Nascimento, Graduado em Filosofia e Pós-graduado em Filosofia Ética e Política; Graduado em Pedagogia e Pós-graduando em Educação Especial Inclusiva; Professor Substituto da Universidade Estadual do Maranhão; Professor Tutor da Uemanet.

Imagem Ilustrativa

A maioria dos seres humanos, Paulinus, queixa-se da mesquinhez da natureza, porque nascemos para um breve período de vida e porque este período que nos foi dado passa tão de pressa e rapidamente que, com poucas exceções, a vida cessa para a maioria de nós exatamente quando estamos nos preparando para ela (Sêneca)

O momento vivido em decorrência da pandemia do novocoronavirus  que tem ceifado tantas vidas em pouco menos de um ano instalado em meio a existência humana é por demais oportuno para que esta reflexão se faz pertinente.

Sêneca (4 a.C. a 65 d. C.) percebia através de suas reflexões o quão breve era a vida humana,   e por isso orientava por meio de seus escritos a vivermos a vida na proporção que a mesma deve ser vivida, sem ocupações desnecessárias. O mesmo enfatiza em sua obra “ Sobre a brevidade da vida” (49  d. C), que a vivemos uma vida curta, porque tornamos a nossa existência curta em detrimento de questões que não nos eleva enquanto sujeitos da vida. “ O homem é tomado por uma ganância insaciável, outro por uma laboriosa dedicação a tarefas inúteis. Um homem está encharcado de vinho, outro preguiçoso com o ócio. Um homem está esgotado pela ambição política, sempre a mercê do julgamento dos outros [...] (Sêneca, 2021, p. 8).

Percebe-se na mencionada fala de Sêneca que a vida é proveitosa quando damos mérito para as coisas que realmente importam, aquelas que farão a diferença em nossas vidas e na vida da sociedade. A existência só se torna importante, na medida em que ela contribui para um melhor desempenho da vida das pessoas que estão ao nosso derredor. Contrariar a essa perspectiva é cair numa vida envolvida com coisas fúteis e inúteis que em nada contribui com aquilo que se tem de mais valioso, o “ tempo”. 

Sêneca, ainda deixa latente na citação acima descrita, que a devastação causada   pelos vícios, que extraem de nós a liberdade e nos impede que observemos como está a nossa vida, para onde estamos direcionando a nossa existência. 

Não somente o vício como é comumente apresentado no contexto atual, isto é, a pressão causada por composições tóxicas, mas também em detrimento de uma vida, vivida num cotidiano sem objetivo, sem postura ativa diante da existência. “Calcule quanto de seu tempo foi tomado por um agiota, quanto por uma amante, um patrono, um cliente, brigando com sua esposa, punindo seus escravos, correndo pela cidade em suas obrigações sociais. Considere também as doenças que causamos a nós mesmos, e o tempo que não foi usado (Sêneca, 2021, p.10).

Diante dessa citação, é pertinente perguntar:  Qual a razão de palavras tão duras? 

No entender, deste que vos fala, a fundamentação de sua tese é para que nós os homens não nos ocupemos demais com coisas fúteis e supérfluas. Supérfluo, entendido como uma existência sem reflexão, sem sentido, de pessoas que simplesmente vão vivendo sem estacionar para analisar o que de útil estamos fazendo para nós próprios e os outros. “ A vida se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes tarefas” (Sêneca, 2021, p. 26).

Acabamos pensando que a vida é curta, muito em decorrência da nossa correria diária e preocupações desnecessárias, mas na verdade, o filósofo Sêneca ensina que a vida dura o tempo suficiente para os que dela sabem usufruir da mesma. [...], o tempo do gozo real é curto e rápido e torna-se muito mais curto por sua própria culpa. Pois, eles correm de um prazer para outro e não conseguem permanecer firmes em um desejo. Seus dias não são longos, mas odiosos: em contrapartida, quão curtas parecem ser suas noites, que passam bebendo ou dormindo com prostitutas! [...] (Sêneca, 202, p.28).

Na eminente referência de Sêneca fica evidente o quão importante deve ser a vida para nós. Devemos, pois vive-la na sua integridade, sem que a perdamos em meio a gozos supérfluos e desvairados.

A vida precisa ser vivida naquilo que tem sentido: amor, família, amigos e afirmação de si mesmo.

Encerro este texto com o poema de Fernando Pessoa que explicita sucintamente s argumentos do referido texto filosófico.

“A morte chega cedo”

A morte chega cedo, pois breve é toda vida.

O instante é o arremedo de uma coisa perdida.

O amor foi começado, o ideal não acabou, e quem tenha alcançado não sabe o que alcançou.

E tudo isto a morte Risca por não estar certo no caderno da sorte que Deus deixou aberto.

Referência

Sêneca. Sobre a brevidade da Vida. Traduzido por Fábio Meneses Santos. Jandira, SP: Principis,2021. 96p. (Clássicos da literatura mundial).


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