GREVE DA MEIA PASSAGEM

#Tbt | 40 anos de uma importante conquista dos estudantes maranhenses

O movimento permanece, atualmente, como um dos mais célebres triunfos da causa estudantil no estado.
Por: PORTAL JG - Juliano Amorim
Data de publicação: 09/10/2019 10h51

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Reprodução

No dia 17 de setembro de 1979, as ruas da cidade de São Luís estavam em febre, sob contestação popular decorrente do aumento na passagem do transporte público. Era a terceira vez que o então prefeito da capital, Mauro Fecury, autorizava um aumento indébito, prejudicando setores da sociedade civil, como estudantes - secundaristas e do ensino superior -, professores e trabalhadores. Nessas condições, nada restou senão ir às ruas reivindicar uma postura adequada do agentes do poder público, nas figuras do prefeito e do governador, especificamente.

No Campus da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que o movimento estudantil em favor da meia-passagem tomou forma, com os alunos do curso de Engenharia Elétrica da UFMA coordenando as investidas iniciais. 

Após assembleia realizada nas dependências da universidade - com o intuito de discutir as mudanças no valor das linhas de ônibus -, um número aproximado de 500 estudantes se organizou em direção ao Centro da cidade para uma caminhada.

No translado, porém, as guarnições da Polícia Militar do Estado empreenderam força, de modo surpresa, na Avenida do Anel Viário. Naquele ponto, após um entendimento entre lideranças, a caminhada foi suspensa, no intuito de melhorar a mobilização das forças estudantis ludovicenses, com a criação de comissões, para facilitar uma coesão entre os envolvidos nos protestos.

No manhã do dia 17 de setembro, os estudantes permaneceram em mobilização nas escolas. Ao cair da noite, 7 mil pessoas, aproximadamente (entre estudantes secundaristas, da UFMA e da Federação das Escolas Superiores do Maranhão ? FESM) se reuniram em assembléia geral, na Praça Deodoro.

Os estudantes decidiram, ao fim, realizar uma grande marcha até o Palácio dos Leões - sede do governo do estadual -, na Praça Dom Pedro II, a fim de entregar uma ata ao então governador João Castelo, solicitando o direito à meia-passagem - uma garantia da legislação arbitrariamente revogada em 1969, quando o período de exceção na democracia brasileira ia de encontro ao seu momento mais duro.

O caráter repressivo das forças policiais, militares e federais impediu que a marcha estudantil ocorresse sem tumultos. O confronto deixou pontos do Centro de São Luís destruídos, além de muito feridos e um número inusual de 110 presos.

As manifestações do segundo dia deixaram a cidade inerte, com pontos de comércio saqueados, escolas com aulas suspensas, ônibus depredados  e um mais um número alarmante de feridos.

João Castelo, então governador da época, tentou negociar com os organizadores do movimento a liberdade de alguns presos, através da concessão de parte do estádio Nhozinho Santos para a realização de uma assembléia dos manifestantes. A postura abrandou o clima de ira, mas não acabou com a greve.

A postura de enfrentamento dos estudantes era, antes de tudo, sintoma do clima de abertura política, conforme assim estipulado pelo presidente Ernesto Geisel e seu ministro-chefe de governo, Golbery Couto e Silva. A distensão "lenta, gradual e segura" foi levada ao cabo pelo sucessor de Geisel, João Figueiredo, responsável por conduzir o país à normalidade democrática. No mesmo ano, em 1979, também aconteceu a greve dos metalúrgicos, no ABC paulista, indicando uma nova postura dos setores organizados da sociedade civil, dispostos ao enfrentamento do status quo político, o que não se vira desde os anos 1960.

A greve dos estudantes, após dez dias, cessou. O governo do estado sancionou, em 28 de setembro, a lei da meia-passagem, que entrou em vigor em primeiro de outubro. Os estudantes, vitoriosos em seu empreendimento, comemoraram em pontos de confronto da cidade, como a Praça Deodoro. A história, hoje, situa a greve da meia-passagem como uma das mais importantes revoltas populares do estado, e o movimento permanece, atualmente, como um dos mais célebres triunfos da causa estudantil no país.





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