INSPIRAÇÃO

Mulheres mais poderosas do Brasil; revista Forbes trás pela primeira vez uma mulher grávida na capa

Cristina Junqueira, cofundadora e vice-presidente do banco digital Nubank, desmitifica a história de que mulheres grávidas devem ficar fora do mercado de trabalho.
Data de publicação: 07/03/2020 08h56

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Pela primeira vez uma mulher grávida estampa a capa da maior revista de negócios e economia. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a edição desse mês da Forbes trás a cofundadora e vice-presidente do banco digital Nubank, Cristina Junqueira, com 40 semanas de gestação, como uma das mulheres mais poderosas do Brasil.

Esse feito inédito representa uma parcela de mulheres que engravidam enquanto estão no mercado de trabalho. A luta pelo respeito de escolha de engravidar e permanecer no emprego nunca esteve tão em voga. Muitas mulheres enfrentam dificuldades e até são demitidas após a licença maternidade, uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra que metade das mulheres que engravidam e voltam para seus empregos são demitidas em até 12 meses. A maior parte das saídas do mercado de trabalho se dá sem justa causa e por iniciativa do empregador. No entanto, os efeitos são bastante heterogêneos em relação ao nível de educação da mãe: trabalhadoras com maior escolaridade apresentam queda de emprego de 35% 12 meses após o início da licença, enquanto a queda é de 51% para as mulheres com nível educacional mais baixo.

Quando uma trabalhadora engravida, o empregador logo foca nas perdas e gastos, surgindo o receio da mãe ter que faltar ao trabalho caso o filho passe mal; de ela pedir para chegar mais tarde para ir a uma reunião escolar; ou de se atrasar, devido à exaustão da rotina. Os benefícios da maternidade para as empresas e até para a economia do país, mesmo comprovados por diversos estudos, ainda são ignorados. Especialistas apontam que as mães são mais produtivas e flexíveis, porque as atividades neurais, ligadas à criatividade, aumentam durante a gestação.

Maternidade adiada

Com as dificuldades, mulheres em todo o mundo adiam o sonho de ser mãe. No Brasil, as mulheres estão priorizando a gestação após os 30 anos de idade.

De acordo com o levantamento feito pelo (IBGE), entre 2008 e 2018, diminuiu o número de mulheres que tiveram filho com menos de 30 anos de idade, enquanto aumentou o daquelas que se tornaram mãe após essa idade. O maior aumento foi observado no grupo de mulheres com idades entre 35 e 39 anos, 56%.

Existem diferentes consequências para essa escolha, dentre elas a gravidez de risco, em contrapartida, a gravidez madura reduz a quantidade de filhos, aumentando a consciência da educação familiar. 

Assegurando o emprego na gravidez

Na falta de um segundo provedor, que ajuda nos custos da casa e dos cuidados com os filhos, a responsabilidade recai sob o Estado e as políticas públicas como expansão de creches e pré-escola podem ser eficazes para assegurar o emprego durante a maternidade, especialmente para proteger as mulheres com menor nível educacional.





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