O último dia 25 de Outubro foi marcado pelos dez anos da morte do cantor jamaicano Gregory Isaacs (1951-2010) - nome de relevo e assinatura particular na história do reggae. Com um estilo único de cantar, acompanhado por canções que perfazem a temática romântica - sem, claro, não deixar de lado a batida compassada do reggae -, o músico viu sua carreira entrar em ascensão, culminando em um estado de popularidade nos anos 1980, com uma série de hits ao longo da década. No Maranhão, seu trabalho encontrou resposta, sendo, até hoje, Gregory um sinônimo para "gigante" entre os artistas de reggae, com músicas que embalaram o gingado dos casais maranhenses em muitos salões e danceterias.
Início da Carreira
A alcunha, Cool Ruler, fazia menção indireta ao seu estilo de canto, com acentuada emoção vocal; bem como o seu modo de vestir - usualmente com terno e chapéu. A carreira teve início ainda na adolescência, através de apresentações em concursos de calouros, nos quais Gregory fora formatando sua projeção em Kingston - capital da Jamaica. O que começou como um duo com o seu irmão, Sylvester, logo passou para um trabalho solo, resultando no primeiro registro em estúdio. A canção Another Heartache, gravada em 1968, acabou não acontecendo nas rádios locais, prolongando por um pouco mais de tempo a expectativa do sucesso. A formação de um trio, Concords, foi outra tentativa de Gregory ascender na carreira, mas pouco se ouviu falar do trabalho do conjunto, que logo se desfez. Enquanto o sucesso não batia a porta, Isaacs passava por empregos erráticos, como a venda de maconha no fim dos anos 1960.
Fase de Transição
O primeiro sucesso veio, enfim, em 1973. All I Have is Love atingiu em cheio as rádios jamaicanas, e, em São Luís, é celebrada até hoje como uma das "pedras" de reconhecimento imediato por parte dos apreciadores do estilo. Outro sucesso, Love Is Overdue, no ano seguinte, ajudou a manter as expectativas sobre o trabalho de Gregory que, em 1975, lançou o seu álbum de estreia, Person. Canções posteriores como Mr. Cop (1976) e Black Against Black (censurada à época), sinalizavam um amadurecimento no estilo de composição de Isaacs, que, no mesmo período, se aproximava de temáticas políticas em seu trabalho, e, conjuntamente, adotava um compromisso com a religião Rastafari. Em 1978, após assinar contrato com a aclamada gravadora Virgin Records, Gregory Isaacs chegava cada vez mais próximo de um sucesso internacional, vindouro mesmo apenas na próxima década. Deste período, consta a canção Mr. Brown, popular no ano de 1979.
Anos 80 e o Sucesso
Adentrando nos anos 80, fase de maior sucesso comercial, Gregory lançou, entre 1980 e 1981, os álbuns Lonely Lover e More Gregory - respectivamente, que logo renderam uma excursão pelo Reino Unido, no período de 80-81, com a banda de apoio Roots Radics. O sucesso Internacional, prestes a vir, se consolidou em 1982, com o estrondoso lançamento de Night Nurse, seu maior êxito fonográfico até hoje. O álbum, lançado pela gravadora Island Records (aclamada por ter, em seu catálogo, artistas como Led Zeppelin, Bob Marley and The Wailers e U2), ganhou as rádios e pôs Gregory Isaacs no panteão dos grandes nomes da música reggae. Nessa mesma época, apesar da popularidade crescente, o artista começou a se envolver em problemas na esfera pessoal. A prisão na Jamaica, por porte irregular de arma de fogo, virou canção (Out Deh!, 1983), mas mostrou, em partes, o que estaria por vir.
Crises Pessoais e Morte
Os álbuns Private Beach (1985) e Red Rose for Gregory (1988) foram, em certa medida, outros trabalhos aclamados pelo público, mesmo sem a projeção de outrora. O vício de Isaacs em drogas cresceu, ao longo dos anos, acarretando em apreensão regular de substâncias ilícitas e detenções corriqueiras nos locais em que fazia shows. O que, em todo caso, pouco comprometeu o teor da solidez de seus trabalhos, ouvidos até os dias de hoje, de modo permanente.
A morte de Gregory Isaacs aconteceu após a detecção de um câncer no pulmão, que o levou precocemente, aos 59 anos, em Londres. Na ocasião, o artista estava com a esposa, Linda, e a família. Seu legado, no Reggae, só se fortificou, possibilitando-o, ainda em vida, ter sido reconhecido como um dos mais populares artistas jamaicanos que já houve.
Gregory Isaacs e o Maranhão
A relação do músico jamaicano com a capital maranhense - também conhecida como jamaica brasileira - revela parte da química existente entre Kingston e São Luís. A adesão popular para com o reggae já está vinculado às tradições culturais da cidade. A música de Gregory Isaacs, tocada nas principais radiolas da ilha e do estado, ajudou no processo de consolidação deste gênero, que permanece cultuado e sempre memorado como característica integrante da vida social do povo maranhense. O artista fez alguns shows na capital; no Estádio Nhozinho Santos e, em outra oportunidade, acompanhado da Tribo Jah, tocando em pontos diversos de São Luís.
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