A chegada da primavera, no hemisfério sul, significa não apenas as temperaturas mais agradáveis, ou a floração tão característica. Um pouco antes, no dia 21 de setembro, há também a comemoração pelo Dia da Árvore, que, no Brasil, antecipa-se em relação a outras localidades do planeta. O objetivo da data é, sobretudo, memorar a sociedade civil à necessidade de conservação da fauna - fundamental ao pleno funcionamento das potencialidades orgânicas da terra. A diversidade arbórea, como signo, é representativa para os recursos naturais preservados. Consta-se, com a sua devida manutenção, a proteção da vida animal; significativo ordenamento na cadeia econômica e o bem-estar social, relacionado à qualidade de vida.
Em termos práticos, o equilíbrio ambiental é responsável pela redução da temperatura, pelo processo de fotossíntese e liberação de oxigênio, e ao aumento da umidade do ar. Os ciclos pluviométricos se mantêm estáveis conforme arborização devida. A indústria farmacêutica acessa as árvores como base para estudos na área de produção de compostos. A madeira e a celulose, matérias-primas para a confecção de móveis e papéis, respectivamente, representam uma importante fonte de recursos, essencial para geração de renda e criação de empregos
A atividade ilegal de extração de madeira, porém, junto a desconfiguração dos biomas - através de queimadas, entre outros meios - suscita, entre Estado e sociedade, discussões em que se faz fundamental um entendimento acerca dos papéis de ambos no esforço por um meio ambiente salubre. O governo brasileiro enfrentou, entre os meses de julho e agosto, pressões em âmbito local e exterior, motivados pelo aumento relativo nos focos de incêndio ambiental. Segundo os dados do Deter, órgão vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve crescimento de 222% nos índices de desmatamento em comparação ao mesmo período do ano passado. O Deter é responsável pelo envio de informações sobre desmatamento ao Ibama. Com a divulgação dos dados pelo Prodes - também vinculado ao Ibama - as informações sobre as taxas de desmate são efetivadas, ao fim do ano.
Houve aumento de 90% e 228%, entre junho em julho, nos números do desmatamento, em comparação aos anos anteriores. Os dados alarmantes acentuaram uma crise política decorrente de contestação do ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, e do presidente da república, Jair Bolsonaro, sobre as informações acerca do desmate revelados pelo Inpe. A crise resultou na demissão do presidente do Instituto, Ricardo Magnus Osório Galvão. Em paralelo, a acusação sem provas do presidente sobre o envolvimento de ONGs nas queimadas de árvores também despertou a reação, em tom de repúdio, de organizações políticas voltada à proteção ambiental e chefes de Estado.
A ameaça de boicote aos produtos brasileiros e ao acordo de livre-comércio entre Brasil e União Europeia, selado em reunião do G20, abriu precedente para uma crise diplomática entre Brasil e França. As falas do Presidente Jair Bolsonaro sobre a aparência da Primeira-dama francesa, Brigitte Macron, e o comentário do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre eventual participação internacional nas questões referentes à Amazônia, geraram clima de impasse, desagregado, logo em seguida pelo empenho de autoridades como a chanceler Ângela Merkel, o presidente americano, Donald Trump, e o Primeiro-ministro, Boris Johnson, que, em reunião do G7, dissuadiram, em conversas formais, a aspereza a havida na discussão sobre o desmatamento na Amazônia.
Contudo, apesar dos desafios que os próximos anos apresentam, constata-se cada vez mais interesse pela preservação da natureza; retirando do assunto o status de efeméride e consolidando-o como pauta basilar nos temas decisivos na política. Dentre as celebrações ocorridas hoje, destacam-se ações como a realizada pela prefeitura de Curitiba, que, na sexta (20), lançou o Desafio 100 mil Árvores, com o objetivo de incentivar o plantio de tal quantidade de mudas no prazo de um ano. Em Campo Grande (MS) a concessionária elétrica Energisa realizou a poda de 85% das árvores da capital - cerca de 1,5 mil árvores - a fim de promover o equilíbrio entre a rede elétrica e a vegetação. "As pessoas falam muito sobre o plantio no Dia da Árvore, como uma forma de sustentabilidade ambiental [...] Com o tempo, a árvore pode ficar entrelaçada na fiação e existe o risco de incêndio, além de choque elétrico, por isso a importância do manejo correto para garantir a harmonia e o conforto para a população”, comentou o coordenador de manutenção da distribuição da Energisa, Rodolfo Acialdi Pinheiro.
Em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, uma iniciativa empreendida pelo professor Alexandre Henrique foi o norte para a pesquisa em conjunto com seus alunos, realizada para refletir acerca da importância da árvore, e as funcionalidades concernentes a ela, como a produção de oxigênio e absorção de gases. O método utilizado para a pesquisa inclui pôr informações, em placas, nas árvores, como o nome, a região oriunda, a família e o nome científico. Um QRCODE que orienta o leitor para um vídeo descritivo mais minucioso também consta no método. Serão aplicadas, em sua totalidade, 80 placas nas árvores da cidade, com 15 espécies diferentes.
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