Prédios inacabados, outros até prontos, mas se deteriorando com o tempo, falta de equipamentos e segurança, reflete parte do caos vivido por estudantes e servidores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A instituição que tem o maior conceito de notas entre as faculdades do estado, apresenta o retrato fiel do mau uso de dinheiro público.
A situação levou a Controladoria Geral da União (CGU), a emitir um relatório em 2017 que envolvia as obras da Biblioteca Central e de outros prédios já concluídos, como o Paulo Freire e o Centro de Convenções, e até mesmo a Malha Viária da universidade. No investimentos de cerca de R$ 60 milhões, foram constatadas varias irregularidades. O relatório é usado como base para instrução de um processo movido pelo Ministério Público Federal.
Além do relatório da Controladoria Geral da união, desde 2016, o Tribunal de Contas da União (TCU) também vem fiscalizando as obras realizadas pela Universidade Federal do Maranhão. No final de 2018, todos os prazos estabelecidos pela justiça expiraram. De lá para cá pouca coisa mudou e, hoje, dentro do Campus é possível ver prédios praticamente concluídos, sem nenhuma utilidade e outros com estrutura iniciada, mas sem sinal de continuidade da obra e com boa parte do que foi feito, tomado pela água da chuva.
Todas as obras estão sendo alvo de um processo de monitoramento iniciado pelo Tribunal de Contas da União que abrange a gestão do antigo reitor Natalino Salgado e da atual gestão da reitora Nair Portela.
A Controladoria Geral da União não descarta a necessidade de fazer um novo relatório sobre a situação dos prédios abandonados. Com o fim do processo de monitoramento, o TCU deve concluir se o abandono das obras se deve a cortes orçamentários ou se pela má gestão dos Recursos Públicos.
Por meio da assessoria, a Universidade Federal do Maranhão se manifestou sobre o assunto.
A Universidade Federal do Maranhão esclarece que as obras inacabadas foram iniciadas, em sua maioria, antes de 2015, e que em virtude da crise econômica nacional e a diminuição drástica dos repasses de recursos por parte do Governo Federal, nos últimos anos, o financiamento de obras, assim como novos investimentos, tem sido impossibilitados.
Atualmente, a UFMA conta apenas com recursos de custeio que cobrem parcela das despesas de seu funcionamento e manutenção. A reitora Nair Portela tem ido constantemente à Brasília, participado de reuniões no Ministério da Educação e na Associação Nacional de Dirigentes de Instituições de Ensino Superior (Andifes), a fim de buscar soluções e alternativas legais que auxiliem no andamento das obras.
A Universidade reforça o seu compromisso com a comunidade acadêmica maranhense, mantendo seu foco na produção de conhecimento por meio do ensino, da pesquisa e da extensão apesar da crise econômica pela qual o país passa. A universidade lembra ainda, que este é um cenário que afeta não somente a UFMA, mas todas as instituições públicas do País, já que não possuem autosussuficiência financeira.
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