Deu na Folha: Corrente anti-PT no WhatsApp foi paga por empresas pró-Bolsonaro

A reportagem apurou que as empresas, entre elas a rede de lojas de departamento Havan, pagaram até R$ 12 milhões em cada contrato com serviços de disparo de mensagens em massa.
Por: Olhar Digital
Data de publicação: 18/10/2018 16h21

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De acordo com notícia publicada nesta quinta-feira, 18, no jornal Folha de S.Paulo, empresários pagaram serviços de disparo de mensagens em massa para espalhar conteúdo contra o Partido dos Trabalhadores através do WhatsApp.

A prática, se comprovada, pode ser considerada ilegal por configurar doação de campanha por empresas privadas e não declarada - também conhecido como "Caixa 2". Existe a possibilidade de que muitas dessas mensagens sejam de notícias falsas.

A reportagem da Folha, assinada pela jornalista Patrícia Campos Mello, apurou que as empresas, entre elas a rede de lojas de departamento Havan, pagaram até R$ 12 milhões em cada contrato com serviços de disparo de mensagens em massa.

Os serviços teriam sido oferecidos pelas agências Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market, entre outras. Cada mensagem custa entre R$ 0,08 e R$ 0,40, dependendo da origem dos números de telefone que serão alvo da campanha.

O objetivo da ação era denegrir a imagem do PT e, consequentemente, do candidato do partido à presidência da Repú//blica, Fernando Haddad. E, desta mesma forma, apoiar Jair Bolsonaro (PSL), oponente de Haddad na disputa pelo Planalto.

Os números de telefone que receberam as mensagens contra o PT diretamente destas quatro agências vieram de duas formas: números oferecidos voluntariamente pelos apoiadores e eleitores de Bolsonaro e por bancos de dados de terceiros.

O uso destes bancos de dados também fere a lei eleitoral. São relações de nomes, endereço e outros dados de pessoas que podem ter sido vazados pelas redes sociais, por empresas de cobrança ou de forma ilegal por funcionários destas mesmas empresas.

De posse destes dados de terceiros, as agências de disparo de mensagens podem segmentar o público-alvo: por exemplo, mandar material de campanha só para pessoas de uma determinada região, idade e classe social.

Nenhuma das quatro agências aparece na prestação de contas que a campanha de Bolsonaro forneceu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A única empresa do tipo que aparece na relação é a AM4, uma agência que diz ter recebido R$ 115 mil para cuidar das mídias digitais do candidato.

Não há indícios de que a empresa tenha fechado contrato para disparo de mensagens em massa. Mas a Folha apurou que a AM4 utilizou de ferramentas como o TextNow para gerar números de telefone falsos e, assim, participar de mais grupos de conversa no WhatsApp e driblar as restrições de encaminhamento do app.

O que dizem os acusados

Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan e notório apoiador de Bolsonaro, disse à Folha que "não sabe o que é" disparo de mensagens em massa por WhatsApp. "Não temos essa necessidade", disse ele. "Digamos que eu tenha 2.000 amigos. Mando para meus amigos e viraliza."

A QuickMobile disse que não está trabalhando em disparo de mensagens em massa sobre política neste ano, que seu foco é em mídia corporativa e que não fechou contrato do tipo com qualquer candidato. A Yacows disse que não vai se manifestar sobre o caso e a SMS Market não atendeu à reportagem da Folha.

A AM4, única empresa do ramo que aparece na prestação de contas de Bolsonaro, negou que esteja criando números falsos para driblar as regras do WhatsApp e disse apenas que seu trabalho se restringe a administrar grupos oficiais de campanha do candidato no aplicativo.

Jair Bolsonaro não se manifestou oficialmente sobre o caso. Pela manhã, o candidato, porém, compartilhou em seu Twitter um post do filho, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, em que ele chama a Folha de "Foice de SP" e acusa o jornal de "contar meias verdades ou mentiras descontextualizadas".





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