MINISTÉRIO DA SAÚDE

Maranhão tem 185 casos registrados de leishmaniose só em 2019

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Maranhão lidera o número de casos de leishmaniose visceral no país nos últimos três anos.
Data de publicação: 10/08/2019 08h27
Atualizado: 12/08/2019 18h56

Dados do Ministério da Saúde apontam que o Maranhão lidera o número de casos de leishmaniose visceral no país nos últimos três anos. Em 2017 foram registrados 789 casos; 703 em 2018; e 185 até o momento, em 2019.

Somando todos os registros, são 1677 casos em menos de três anos.

Os 5 estados com mais casos de leishmaniose visceral no Brasil: 

Estados

2017

2018

2019 (Até 24 de julho)

Total

Maranhão

789 casos

703 casos

185 casos

1677 casos

Pará

540 casos

518 casos

156 casos

1214 casos

Minas Gerais

768 casos

331 casos

115 casos

1214 casos

Ceará

340 casos

327 casos

101 casos

768 casos

Bahia

274 casos

251 casos

80 casos

605 casos

 A doença

Tanto em humanos, quanto em cães, a doença é difícil de ser diagnosticada por ter sintomas parecidos com outras doenças. Em humanos a leishmaniose visceral pode ser fatal em até 90% dos casos, se não tratada.

A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa causada pelo protozoário Leishmania chagasi. A transmissão acontece quando fêmeas dos mosquitos conhecidos como 'mosquito-palha' picam cães ou outros animais infectados, e depois picam o homem, transmitindo o protozoário.

Outro problema é que os cães ainda são vistos como os vilões, sendo que são apenas os hospedeiros. Em vários casos, os cães infectados são sacrificados, mesmo quando é possível tratar o animal para que ele não contribua na transmissão da doença.

 "A eutanásia, que ainda é usado para o controle da doença, claramente não está funcionando por algumas razões. Uma delas é que não é só o cão que participa como hospedeiro da doença. Existem outros animais, inclusive silvestres, que participam disso", explica o médico veterinário Ricardo Cabral.

Segundo o veterinário, a leishmaniose não tem cura nos animais, mas atualmente também já existe um tratamento aprovado para a doença nos cachorros.

"No final de 2016, o Milteforan foi aprovado pelo Ministério da Agricultura para o tratamento da doença. O medicamento diminui a chance de o cão poder transmitir o vetor para o mosquito-palha. Além disso, 94% dos animais conseguem o controle dos sinais clínicos e podem voltar a ter uma vida normal"

"Não significa que ele precisa ser tratado pelo resto da vida. É realizado o ciclo da droga, que dura 28 dias, e depois disso a recomendação é que o animal seja monitorado a cada quatro meses. A partir da avaliação de exames, o médico veterinário vai dizer se será preciso entrar com outro tipo de tratamento, ou não", completa.

Ainda segundo Ricardo Cabral, também é recomendado que o dono do cão usasse outras estratégias para evitar a transmissão da doença, como o uso de uma coleira repelente para evitar a aproximação do mosquito, o que diminui a chance do animal ser atingido.

Medidas de prevenção e controle ainda não foram capazes de impedir a ocorrência de novos surtos do calazar. Entretanto, usar repelentes quando estiver em região com casos de leishmaniose visceral e armazenar adequadamente o lixo orgânico (a fim de evitar a ação do mosquito), além de não utilizar agulhas utilizadas por terceiros, são medidas individuais que diminuem a probabilidade de ser contaminado. Vale ressaltar, também, que existem repelentes especiais para cães, evitando que sejam picados pelo leshimania.

 

Sintomas da leishmaniose em humanos:

 ·      Febre

·       Perda de peso substancial

·       Inchaço do baço e do fígado

·       Anemia

·       Pode ser fatal se não for tratada em 90% dos casos

 

Sintomas da leishmaniose em cães:

 ·      Emagrecimento

·       Vômitos

·       Fraqueza

·       Queda de pelos

·       Crescimento das unhas

·       Feridas no focinho, orelhas e patas





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